Você já leu relatos de quem se transformou com o EMDR e também de quem não sentiu melhora. Essa dúvida, se o EMDR funciona para todos, é legítima e a resposta honesta é não. Nenhuma abordagem terapêutica tem eficácia universal, e o EMDR não é exceção. Neste artigo, você vai entender o que é o EMDR, como ele funciona, quais fatores influenciam os resultados, quando ele pode não ser a melhor escolha e como decidir com segurança, sem promessas milagrosas.
O que é o EMDR e como ele funciona na prática
O EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) é uma psicoterapia criada por Francine Shapiro no final dos anos 1980. Ela é reconhecida por organizações como a OMS e a APA para o tratamento de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Durante as sessões, o terapeuta guia o paciente a relembrar memórias traumáticas enquanto realiza estímulos bilaterais, como movimentos oculares, toques ou sons alternados. A ideia é que esses estímulos ajudem o cérebro a reprocessar a informação traumática, reduzindo a intensidade emocional associada a ela.
Como funciona uma sessão típica de EMDR

Uma sessão de EMDR segue um protocolo estruturado em oito fases: história clínica, preparação, avaliação, dessensibilização, instalação de crenças positivas, varredura corporal, fechamento e reavaliação. Na fase de dessensibilização, o paciente foca na memória perturbadora enquanto acompanha os estímulos bilaterais, permitindo que novas associações surjam. O processo pode ser intenso, mas o terapeuta oferece suporte contínuo para garantir segurança emocional.
Por que o EMDR não funciona para todos: fatores que influenciam os resultados
A eficácia do EMDR depende de múltiplos fatores, como o diagnóstico, a preparação do paciente, a relação terapêutica e a adesão ao tratamento. Não existe uma técnica única que resolva todos os casos, e o EMDR não é exceção. Estudos clínicos controlados, como os revisados pela Cochrane em 2013, mostram que o EMDR é eficaz para TEPT, mas a resposta varia. Uma revisão de 2014 na Frontiers in Psychology indicou que cerca de 30% a 50% dos pacientes podem não responder totalmente ao tratamento. Isso significa que uma parcela significativa não alcança remissão completa, e alguns podem até piorar temporariamente.
Fatores que podem influenciar a resposta ao EMDR
- Diagnóstico e complexidade: O EMDR é mais estudado para TEPT e traumas simples. Para traumas complexos, como abuso prolongado na infância, ou transtornos dissociativos, pode ser necessário um preparo mais longo e uma abordagem combinada.
- Preparação do paciente: A capacidade de regular emoções e tolerar o desconforto durante as sessões é essencial. Pacientes com dificuldades de regulação emocional podem precisar de uma fase de preparação mais extensa, com técnicas de estabilização.
- Relação terapêutica: A confiança e a segurança no terapeuta são fundamentais para que o paciente se sinta à vontade para acessar memórias difíceis. Uma aliança terapêutica fraca pode comprometer o processo.
- Adesão e frequência: A consistência nas sessões e a prática de técnicas de estabilização entre elas podem impactar os resultados. Sessões esporádicas ou interrupções frequentes dificultam o reprocessamento.
- Expectativas realistas: Quando o paciente espera uma cura mágica, a frustração pode prejudicar o processo. O EMDR não apaga memórias, mas ajuda a reduzir o sofrimento associado a elas.
Quando o EMDR pode não ser a melhor abordagem

O EMDR pode não ser a primeira escolha em situações como crises agudas, uso ativo de substâncias, ou quando o paciente não tem recursos internos para lidar com a intensidade das emoções. Nesses casos, outras abordagens, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC) ou a hipnoterapia integrativa, podem ser mais adequadas. A decisão deve ser tomada em conjunto com um profissional qualificado, que fará uma avaliação individualizada.
Critérios para considerar outras abordagens
- Se você está em crise aguda ou com pensamentos suicidas, o primeiro passo é buscar ajuda psiquiátrica ou um serviço de emergência.
- Se você tem dificuldade em se concentrar ou em manter a calma durante as sessões, técnicas de estabilização podem ser necessárias antes do EMDR.
- Se você não se sente confortável com a ideia de reviver memórias traumáticas, outras terapias que trabalham com o presente podem ser mais adequadas.
Como saber se o EMDR é adequado para o seu caso
A melhor forma de saber se o EMDR é adequado para você é passar por uma avaliação inicial com um profissional de saúde mental qualificado. Durante essa avaliação, o terapeuta irá coletar sua história, entender seus sintomas e discutir as opções de tratamento. É importante ser honesto sobre suas expectativas e preocupações, para que juntos possam decidir o caminho mais seguro e eficaz.
Etapas para decidir com segurança
- Busque um profissional com formação específica em EMDR, de preferência certificado por uma associação reconhecida.
- Agende uma sessão de avaliação para discutir seu histórico e objetivos.
- Pergunte sobre a experiência do terapeuta com casos semelhantes ao seu.
- Converse sobre os possíveis desconfortos e como eles serão manejados.
- Considere combinar o EMDR com outras abordagens, se necessário, como TCC ou hipnoterapia.
Alternativas ao EMDR: TCC, hipnoterapia e outras abordagens

Se o EMDR não for indicado para você, existem outras abordagens baseadas em evidências que podem ajudar. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma delas, focada em identificar e modificar pensamentos e comportamentos disfuncionais. A hipnoterapia integrativa, por sua vez, utiliza a hipnose clínica para acessar recursos internos e promover mudanças em nível inconsciente, sendo útil para ansiedade, fobias, insônia e estresse. A escolha da abordagem deve ser baseada na sua condição específica e na sua preferência pessoal.
Comparação rápida entre abordagens
- TCC: Focada no presente, utiliza técnicas como reestruturação cognitiva e exposição gradual. É eficaz para ansiedade, depressão e TEPT.
- Hipnoterapia: Utiliza a hipnose para acessar o subconsciente e promover relaxamento profundo. Pode ajudar no controle da ansiedade, no manejo do estresse e na melhora do sono.
- Mindfulness: Prática de atenção plena que ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, complementando outras terapias.
Perguntas frequentes sobre EMDR
EMDR é eficaz para todos os tipos de trauma?
Não. O EMDR é mais estudado para traumas únicos e TEPT. Traumas complexos, como abuso prolongado na infância, podem exigir um trabalho mais longo e combinado com outras abordagens.
Quanto tempo leva para o EMDR fazer efeito?

O tempo varia de pessoa para pessoa. Alguns estudos mostram melhora após 3 a 12 sessões, mas isso não é uma garantia. O progresso depende da gravidade dos sintomas, da preparação e da resposta individual.
EMDR pode substituir medicamentos?
Não. O EMDR é uma psicoterapia e não substitui medicação prescrita por psiquiatra. Em alguns casos, pode ser usado em conjunto, mas a decisão deve ser médica.

Se você está considerando o EMDR ou outras abordagens, o primeiro passo é uma avaliação profissional. Na Comotta, oferecemos hipnoterapia integrativa para adultos em São Paulo e online, com foco em ansiedade, fobias, insônia, estresse e bloqueios emocionais. Agende uma sessão de mapeamento para entender se a abordagem faz sentido para o seu caso.


